Entrega – Alicerce de uma relação

entrega 01 Picasso

Oi Eduardo

Achei maravilhoso esse texto. Realmente é assim, não sei quem foi autor, mas é legal para colocar no seu blog.

 ABS

Recebi o texto e fui lê-lo, e depois de algumas leituras resolvi fazer uma releitura do tema proposto. O assunto é: O que a mulher realmente quer de uma relação?.

Muitas vezes nessa longa vida fui procurado por jovens que vinham me falar, ou seria pedir uma opinião, se deviam ou não casar.

Sempre respondia com 2 (duas) perguntas:

  1. Você gosta dele (a)?
  2. Você vai casar para ser feliz?

Invariavelmente a resposta para as duas questões era um SIM com uma expressão de satisfação estampada no rosto.

Eu então filosofava tentando demonstrar que só isso não basta para manter uma relação.

Como assim?

Assim, quando se entra numa relação para ser feliz, esquecemos do principal que é na realidade fazermos a outra pessoa feliz.

entrega 02É preciso ter uma boa dose de entrega. As mulheres querem numa relação amorosa romance, surpresa, proteção, confiança, cumplicidade, mas sobretudo entrega.

Pense, mas pense muito, está pronto (a) e preparado para ter essas condições de entrega?

De nada adianta desejo e amor, uma relação não se sustenta se não houver entrega.

Por que?

Se o casal se gosta tanto, se sentem muita atração um pelo outro, o que os impede de ter uma relação divertida, estável e sem neuras?

Simples, os dois tem que ter a capacidade de se entregar ao outro. Se não houver essa condição de entrega de ambos a relação não existe é apenas uma tentativa, um desejo, uma fantasia ou mesmo uma insistência.

E não é apenas um ter essa condição de entrega é preciso os dois. Entrega vai muito além de confiança. Você tem certeza que ela (e) é honesta, falou a verdade que ía jogar sinuca ou estudar para fazer o trabalho da Pós, que ela (e) chegará na hora combinada, porém isso não é tudo.

Numa relação em que a entrega prevalece não há ganhadores e nem perdedores.

A condição de entrega se dá quando não há competitividade, quando o casal numa conversa não tem a disputa para se ter a razão sobre o outro, pois ambos  jogam no mesmo time, ou melhor ainda, estão no mesmo barco tirando água para que ele não afunde.

Quando se joga no mesmo time os estilos podem ser diferentes, um é mais emoção o outro mais razão, um extrovertido o outro mais fechado, um mais rápido nas decisões outro mais lento, mas essas posições opostas servem para dar força ao conjunto e ambos sempre vestem a mesma camisa.

Nada de julgamentos e preconceitos que acabam afastando ou inibindo as conversas. É saber que nunca as palavras ditas serão usadas contra você.

entrega 03Numa relação de entrega os dois não precisam torcer para um mesmo time de futebol, partido político ou a mesma religião. Mesmo não concordando com suas ideias jamais um desconfiará da integridade do outro, não depreciará sua conduta ou rirá de uma situação que de engraçado para você não tem nada.

Assim, pode pensar o que realmente pensa e não fingir o que pensa, nem precisa fingir o que sente se na realidade não sente.

Quando não há condição de entrega, a relação pode-se arrastar, prolongar, e tentar um amor pra sempre. Mas será que você estava mesmo nessa relação?

Claro que a condição de entrega não é uma garantia que relação durará para sempre, mas se acabar vai ser porque o desejo definhou, o amor virou amizade, os sonhos se distanciaram, mas enquanto juntos, houve entrega, e ninguém se culpará de não ter se entregue totalmente.

Quando isso acontece prevalece a máxima de Vinicius de Moraes: “que seja infinito enquanto dure”

Soneto de Fidelidade – Vinicius de Moraes

 

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

12 de outubro – Dia das Crianças

Me questiono se no dia das crianças deveríamos festejar as crianças ou os pais.

Já foi o tempo em que apenas um olhar bastava para que os pais conseguissem  fazer os filhos se comportarem.

Hoje são senhores da situação em casa, na escola, no trabalho e claro nas relações. Sim nas relações (todas), porque  crescendo mimados, sem disciplina e respeito continuam adultos/crianças, e não tem “olhar” que os façam se “comportarem”.

Para comemorar essa data nada melhor do que ouvir e ler o que criou nosso grande poeta Vinicius de Moraes no Poema Enjoadinho, falando justamente disso.

Coloco duas versões  em vídeos  uma adaptação  de José Cantos Lopes e uma outra com o próprio Vinicius  declamando sua poesia.

Poema Enjoadinho – Vinicius de Moraes (1990)  – 

Poema Enjoadinho – Vinicius de Moraes (1990)

Filhos… Filhos?

Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?

Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!

Banho de mar
Diz que é um porrete…

Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica

Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!

Resultado: filho.

E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.

Filhos? Filhos
Melhor não tê-los

Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo
Melhor não tê-los…

Mas se não os temos
Como sabê-los?

Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!

Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

 

Amor na era digital

Amor na era digital

amor digitalNunca foi fácil terminar um namoro, casamento ou affair.  Com o aparecimento da internet e das redes sociais ficou ainda pior.

Antes as regras eram simples, havia uma conversa onde se oficializava a separação e cada um ia para seu lado. Os dois ficavam chorando, se achando a pior do mundo, se isolando de todos, tocando violão para si mesmo, compondo e se recuperando do apocalipse.

Um tempo depois de curtida a solidão, cada um à seu tempo, começavam a sair, primeiro com a família, depois com os amigos e ai com outras novas pessoas e por que não possíveis “paqueras”.

Com a distância física a raiva um do outro ia passando. Longe dos olhos longe do coração, ninguém ficava sabendo da vida de ninguém, e se o outro estava com alguém era problema dela, que fosse feliz. Eventualmente chegava alguma fofoca, mas numa separação a falta de notícia era sempre uma boa notícia.

Ninguém ficava tirando a casquinha da ferida e aos poucos a ferida da perda não sangrava mais e ela cicatrizava, sem deixar marcas profundas.

Agora com os Facebook, Google+, Skype, Viber, Whatsapp, Linkedin, Instagram, etc. é como se vivessemos numa pequena cidade do interior, onde todo mundo sabe tudo de todo mundo. Onde o ex-casal se encontra, muitas vezes escondidos, através de posts de amigos.

Ele entra na net para espiar “escondido” e vê uma foto da sua “ex” numa selfie toda feliz com um outro cara qualquer, fica morrendo de ciúmes, e resolve retaliar postando uma foto beijando a primeira que encontrar. Ele não beija a mais de três meses, mas finge o contrário.

Antes da era digital isso raramente só iria acontecer, agora não, está ali estampado para todos verem, ele e a humanidade toda.

Aí os dois começam a trocar mensagens cobrando respeito, a reclamar de posturas (como se ainda estivessem junto), ou seja, hoje a pessoa tem que terminar na vida real, e depois tem que dar o pé na bunda também na vida virtual. Pois é, se terminar uma vez já era dose, imagina então agora terminar duas vezes.

Gente, virtual não é real. Percebam que nas redes sociais só existem momentos felizes. Saiu dias atrás na imprensa uma “gringa” que falou para a família e amigos que iria fazer uma viagem, se recolheu num lugar não conhecido e passou a postar fotos incríveis. de lugares maravilhosos, em diferentes países sem ter tirado um pé de onde se recolheu. E pior todos acreditaram, curtiram e compartilharam cada foto que ela postou.

A pessoa está sofrendo a separação, chorando pelos cantos, mas não quer dar o braço a torcer e posa de feliz porque acha que isso vai cutucar (sim chatear no mundo real) seu “ex”, e pronto agora está vingado e todo mundo infeliz.

Antes da era digital se tinha algumas regras para curar as feridas da separação e a tática número 1(um) era mudar de cidade, mudar para bem longe. Agora a tática é sair um tempo do Facebook e assemelhados, para ir ao cinema, viajar, jogar bola, ir ao shopping fazer compras, ir a um churrasco, encontrar com amigos no barzinho, essas coisas verdadeiras mesmo.

A tática numero 2 (dois) antes era se tornar invisível, sumir do farol do “ex”. Agora nem precisa sair do Facebook, basta esconder o que anda fazendo que é bem mais interessante do que contar para todo mundo.

Quando você some das redes sociais, acaba incentivando a imaginação do “ex” e nada supera a imaginação de um “ex” que a falta de informação. . . kkkkkkk

política com P (maiúsculo) – HORA DE MUDAR

política com P (maiúsculo) – HORA DE MUDAR

Estava tentando entender porque o ser humano atualmente anda muito intolerante, radical e com uma violência sem freios.

Desde muito jovem aprendi que tem alguns assuntos não se deve discutir, mas entender e aceitar os pontos de vista dos outros. Isso não quer dizer necessariamente mudar de opinião.

A beleza da vida está nessa multiplicidade de entendimentos de uma mesma coisa.

Futebol, religião, raça, opção sexual, formas de relacionamentos e política não se discute, se respeita.  Primeiro porque não quero convencer ninguém a pensar como eu, mesmo porque se cheguei a alguma opção sozinho também não posso querer que alguém se convença a pensar como eu penso. Sempre estou aberto a mudar de opinião depois de ouvir e refletir sobre as visões contrárias as minhas, e não foram poucas vezes que isso aconteceu.

Quem se mantem radical em qualquer assunto não ouvindo o que os outros têm a dizer a respeito nunca vai avançar, progredir ou se renovar.

É sempre muito agradável conversar com quem pensa igual, a conversa se desenvolve em alto nível, mesmo que todos estejam errados, mas dificilmente se evolui para algo desconhecido ainda.

republica portuguesa

Minha formação política começou na infância com meu pai, um português que veio para o Brasil porque se recusava a servir ao exercito português da monarquia. Ele já era republicano no inicio do século passado (1900/1910).

123Esse texto é sobre a proclamação da República em Portugal em 1910, mas reparem que poderia ser o momento que vive o Brasil em 2014, 110 anos depois.

O mais interessante é que a Proclamação da Republica Portuguesa foi 5 de outubro de 1910. Isso mesmo o mesmo 5 de outubro que vamos eleger nosso novo presidente do Brasil.

O ser humano aprende muito pouco com as lições da vida, da história.

Os tempos eram outros, não tínhamos internet e nem televisão e a história era transmitidas de pais para os filhos. Eu nem tinha 7 anos e meu pai me fazia ler o jornal para ele, geralmente as páginas de política e me comentava os principais fatos, sempre mostrando o outro lado das coisas.

Mal sabia eu que estava sim me educando de como viver com diferentes e que sempre tem algo escondido por trás das notícias ou fatos que tomamos conhecimento. Nada de teoria da conspiração, mas que devemos analisar tudo antes de termos nossas posições.

Algum tempo atrás assistindo a um filme de 2002 que fez muito sucesso – Prenda-me se for capaz – tem uma cena rápida que me fez lembrar essas conversas: o protagonista do filme (Leonardo di Capri) num encontro com seu pai, também um vigarista como ele pergunta ao filho:

NY YANKEES- Você sabe por que o New York Yakees (time de baseball) sempre ganha?

– Não

– Porque os adversários ficam prestando atenção nas listas das camisas.

 

Com isso estava querendo dizer que as pessoas prestam mais atenção no superficial.

Depois comecei a conviver mais intensamente com um dos meus outros 7 irmãos. Muito diferente para a época (1950/60), era brilhante intelectualmente e politicamente ativo e já me falava de assuntos estranhos para a época que mais tarde vi prosperar (Mercado ABC – Argentina/Brasil/Chile |Ecologia |meio ambiente).

Com jeito largado na sua aparência (hoje estaria na moda), eu via de longe sua atividade política e a relação que mantinha com políticos de várias matizes, respeitando a todos e sendo respeitado, mesmo com sua figura estranha para a época.

Todos já naquela época falavam em melhorar a vida das pessoas pobres, lutar pelos direitos dos trabalhadores, lutar pela Petrobrás (como podia ter petróleo em todo mundo e aqui não, essa era a questão) e tornar o Brasil um grande país.

Eu gostava de ficar no canto da sala ou acompanha-lo em suas andanças e ficar do lado ouvindo as conversas.

A verdade é que nesses anos todo de vida, já vi muitos avanços em todos os aspectos na vida brasileira, somos uma das maiores nações economicamente falando, temos uma das maiores democracias, liberdade de credo, politica e de expressão (às vezes aparece alguém querendo controlar a mídia, mas isso não pode acontecer).

Mas até quando?

Estamos assistindo uma eleição presidencial onde atacar o adversário, mentir, falsear, é mais importante que nos falarem seus compromissos. Estão colocando nós contra eles, irmãos contra irmãos como se isso fosse fazer política.

É preciso acabar com isso e juntos (todos) acabarmos de construir o que todos almejamos um Brasil forte, justo e para todos.

Líder verdadeiro é correto, tem ética. Líder é aquele que conduz e não o que oprime, até porque uma coisa é ter opinião e outra é fazer manipulação, enfim o eleitor merece ser tratado com respeito e não como se todos fossem ingênuos, burros e ignorantes.

Política não é guerra, dá para ser ter opinião, ser correto sem misturar as estações. Penso que no fundo, o que todos queremos, é sempre um país cada vez melhor e para todos.

Como não faço política, não faço propaganda política, só propaganda do meu trabalho, assim como fizeram comigo quando criança penso que temos que ensinar e ao mesmo tempo aprender que você pode até não gostar dos políticos que estão por aí, mas que se interessar pela política faz parte do papel do cidadão, inclusive pra tentar mudar o que não está bom, o que não concordamos.

Foi muito trabalhoso e duro chegar até aqui, várias gerações de brasileiros deram sua vida, às vezes com muito sangue e dor. Será que vamos jogar tudo fora por causa de uns poucos?

Nós brasileiros não merecemos isso.

É HORA DE MUDAR.