Tem momento certo para a “Hora de Mudar”?

foto do filme: De pernas pro ar

foto do filme: De pernas pro ar

Não é preciso insistir, é só você fazer uma reflexão sobre sua vida e verás que mudanças fazem parte da vida, do nosso processo evolutivo. Mas muita gente tem problemas em efetuar transformações radicais em suas rotinas, especialmente na carreira, por comodismo ou medo, enquanto outras fazem a transição com naturalidade, sem grandes dramas. Para estas, a felicidade e a qualidade de vida vêm em primeiro lugar.

Temos o que chamamos de várias crises durante a vida que nada mais são a angustiante confronto com a realidade que temos que mudar. É assim aos 15, 18, 30, 40, 50 e ultimamente com o aumento da expectativa de vida aos 60 anos.

Aos 15 e 18 estamos deixando de ser crianças para nos tornamos “gente”. Aos 30 uma crise de identidade nos assola por que “precisamos” decidir nossa vida afinal o que somos e o que já fizemos.

Nesse texto falarei da crise dos 40. Dos 15 aos 40 anos vivemos a chamada “fase de construção de uma vida”.  Até os 40 anos, construimos quase tudo em suas vidas. Estudam, formam-se, trabalham, criam família, lutam, fazem horas extras, trocam de casa, etc… Se sofrem algum abalo financeiro antes dos 40, ainda temos forças para reconstruir tudo.

Muitos abrem mão de quase tudo para criar seus filhos, que agora já estão crescidos. Outros exerceram a mesma profissão, e obtiveram o resultado da sobrevivência até então, descobrindo que poderiam ter feito outra coisa que gostassem mais.  Ou ainda outros que fizeram o casamento adequado, e agora tem que conviver com seu parceiro (a), o resto de sua vida sem mais as grandes paixões do início.

Homem em crise

É aos 40 anos que paramos para contabilizar tudo o que tem e o que fizeram, para, à partir daí, poder usufruir o que acumularam de acordo com suas opções iniciais. Muitas vezes, se perguntam como será a aposentadoria, até que idade irão viver ou como vão ser suas condições de saúde.

Começamos a questionar se vamos conseguir viver dessa maneira os próximos 40 anos. Temos consciência que hoje vivemos mais e que não vamos conseguir parar de trabalhar na aposentadoria. Vamos viver sem as paixões do ínicio da vida? Queremos nova carreira, novos desafios.

Depois de mais de 20 anos, muita gente se cansa de realizar o mesmo trabalho. No ambiente corporativo a ilusão de chegar à diretoria e à presidência com o tempo acaba ou diminui, mas parece menos comum um médico ou profissional que trabalha com o bem-estar humano querer mudar de carreira.

A situação estável do país também nos estimula e colabora para que tentemos novos rumos. E quem tem como objetivo máximo ganhar dinheiro, suportar melhor algo que o desagrada, mas o remunera bem.

O momento dessa mudança é quando o trabalho não traz mais satisfação e passa a se tornar um martírio. Será que vale realmente a pena permanecer dessa forma, desgastando-se e se prejudicando mental e fisicamente?

É neste momento que se avalia se vale correr o risco de fazer o que se gosta para se sentir mais pleno e satisfeito. Mas é importante ponderar os ganhos e as perdas. E se preparar. Tem que estar consciente de sua decisão e planejar, o que pode levar tempo. Verifique a viabilidade da mudança, considere que no início será difícil, já que provavelmente ganhará menos. Neste processo vale fazer pesquisas, conversar com familiares, amigos e profissionais da área em que pretende atuar. Claro que podemos fazer isso mesmo na atual carreira, pois tudo se modifica, mas parece que temos dificuldade de fazê-lo com o que já fazemos e facilidade com o que não sabemos.

Muitas vezes a mudança leva anos, tem que ser programada que se tenha recursos que permitam investimentos na abertura do negócio. Mesmo assim, para quem olha de fora parece coisa de louco, pois muita gente associa mudança com fracasso, não imagina que a pessoa está feliz. É preciso estar preparado para lidar com a pressão externa.

Este tipo de transformação assusta. A maioria das pessoas tem muita dificuldade de entender como alguém super bem sucedido (na visão delas) muda de carreira.

Às vezes a mudança não é programada com antecedência. Um stress dentro da carreira atual pode nos remeter ao sonho que sempre tivemos, mas não tínhamos tempo de realizar. Com a experiência acumulada, partimos do zero, mas rapidamente nos tornamos capazes na nova carreira vamos poder dizer de boca cheia: “Nunca fiz nada na vida que gostasse tanto e sentisse tanto prazer”. Para isso precisamos contar com o apoio emocional e financeiro do parceiro, para que segure as pontas enquanto o novo projeto não decola.

Um pouquinho de frio na barriga no início é normal. Deixar a segurança de uma remuneração boa e garantida dá medo, mas não vai se arrepender de maneira alguma.

Para alguns o problema é o ganho menor e se você está pensando em seguir o mesmo caminho, avalie se está disposto a mudar seu padrão de vida, pelo menos por um tempo. Consulte seu companheiro (a) pode ser que não esteja disposto (a) e não é a hora de mudar dela. Se estiver mesmo decidido (a) se prepare, pode ser o fim do relacionamento.

Também é importante não ser muito medroso, ter boa auto-estima e sentir prazer em aprender algo novo. Lembre-se de que você sairá do cargo de expert para o de iniciante.

Lembre-se toda mudança, mesmo sendo boa, demanda muita energia e é desgastante.

E o ganho? O ganho com a troca, quando feita com seriedade, consciência, determinação e, empenho, certamente compensa.

Seja feliz.