Hora de Mudar

Mulherices -Toda mulher são duas (pelo menos) em uma

Mulherices -Toda mulher são duas (pelo menos) em uma

Mulherices – Toda mulher são duas (pelo menos) em uma

mulhericeOutro dia me perguntaram se acho mesmo as mulheres contraditórias e complexas.

Minha resposta é sim.

E ouvi como resposta: não, isso é apenas “mulherice”, termo novo para mim e para muitos e resolvi pesquisar.

Para meu espanto existem sites, blogs, paginas no Facebook e em outras redes sociais sobre “mulherices”.

Realmente o termo define bem a complexidade de uma mulher, mas sempre achei que essa complexidade é que faz a mulher ser tão interessante.

É comum ela criticar algo a vida toda e de repente adotar isso como uma “verdade absoluta”.

E tem aquelas que mudam conforme os namorados. Isso é muito fácil de perceber nas artistas. Elas têm a fase hippie, fase musical, fase apaixonada, fase boa moça. Quando encontram um parceiro somem da mídia aparecendo só como uma mãe zelosa e apaixonada. É só terminar a relação reaparecem com força total de uma piriguete em inicio de carreira.

Na verdade é como se dentro de cada mulher vive no mínimo duas outras mulheres que vivem brigando entre si para prevalecer. Por mais que tentem dar conta delas, reprimindo e censurando-as para que fiquem quietinhas, elas aparecem nas horas mais estranhas e erradas.

Toda mulher intelectual ou profissional tem dentro de si uma “fulgurante perua”.  Como são duas mulheres completamente opostas que vivem brigando muito entre si, às vezes uma aparece onde quem deveria estar era a outra.

Assistindo o filme “JACKIE” onde duas irmãs gêmeas holandesas, criadas por pais gays, aos 30 anos são obrigadas a irem para os Estados Unidos em busca da mãe biológica (barriga de aluguel) que nunca conheceram, Jackie, que está internada por um acidente e como não existe nenhum parente mais próximo além delas, mesmo a contra gosto abandonamos tudo e vão ao encontro da mãe. Elas a encontram, e juntas atravessam o deserto do Novo México numa surpreendente viagem que redefine o significado de família e das personalidades de cada uma,  e mostra claramente essa dualidade feminina e muitas mulherices.

Esses opostos afloram sempre quando estão em ambientes novos e nada como uma viagem para se perceber bem essas contradições.

Durante as viagens de turismo é um inferno, as mulheres só pensam naquilo. . . as malditas compras e se transformam sendo a outra que no dia a dia não eram.

Se for dia de um programa cultural, a poderosa cabecinha acorda animada, coloca os óculos, quer visitar todos os museus, conhecer os artistas, falar de coisas sérias.

Quando menos se espera aparece do nada a fulgurante perua e, em meio às obras de arte, começa a pensar na lojinha do museu, no presentinho que tem de comprar para uma amiga e quer mandar selfies para todo mundo pelo Facebook.

Se vai ver uma peça teatral que está bombando na mídia não presta atenção aos atos, à música ou ao cenário, aos detalhes da produção, mas sim como vai fazer para trocar a blusinha que comprou à tarde e no que comprar no aeroporto na volta da viagem.

A profissional zelosa e responsável, de repente se pega sendo a fulgurante perua olhando sites de roupas com desconto no meio do horário de trabalho, tenta se controlar, mas não resiste e perde mesmo o controle e assume a fulgurante perua.

Já a metidinha a “cult” que existe dentro dela é… mais teimosa ainda. Fica ranzinza nos blocos de carnaval, tem horror de shopping center cheio, não suporta passar um fim de semana com pessoas que não leem livros, jornais e não estão inseridas em comunidades na internet, mas também não resiste a uma liquidação on line.

O conflito se repete nas situações de convívio social.  Quando estão naquela rodinha de namoradas dos amigos homens ou amigas das amigas – pessoas com as quais não tem muitas afinidades, é aí a hora de a fulgurante perua aflorar e começar a falar das liquidações, da nova dieta da moda, da separação do Cauã Reymond, do vestido da Fernanda Lima no sorteio da Copa do Mundo.

Só que as mulheres mudaram e já não são tão ligadas em comprar querem discutir a anexação da Crimeia pela Rússia, falar do último livro do Romeu Tuma Junior, dos conflitos religiosos, ou discutir o parto natural e a fulgurante cabecinha tem de enfrentar aquele olhar de “gente, por que ela está trazendo esse assunto baixo-astral?”.

Que conflito, se pega discutindo internamente e não aguenta a pressão, quer sair, ir embora. O que fazer com essas duas mulheres?

O melhor é aceitar que as duas (ou várias) fazem parte da complexa personalidade feminina. O segredo é saber conviver com as duas (ou várias) e curtir o que cada uma delas tem a oferecer.

Talvez ela queira, durante uma semana, tomar suco verde e, depois, super incoerente, comer pastel ou um sanduiche de pernil e tomar cerveja.

Nada disso faz dela menos ou mais feminina. Nem menos ou mais inteligente.

Se nem elas conseguem se entender a sim mesmo na maioria das vezes, imaginem então um homem no meio desse fogo cruzado tentando entender, impossível.

Como um homem vai entender que a mulher que aguenta a incrível dor de um parto, se depila na virilha e nas axilas com cera quente e depois chora quando perde o namorado para a amiga, ou assiste a um filme como “Nunca te vi, mas sempre te amei” ou “Um amor para recordar”.

Como entender que quando terminam um relacionamento, para saírem da fossa e deixar de chorar pelos cantos vai para academia, faz uns 10 tipo de regimes diferentes, capricha (ainda mais) na maquiagem e se arruma toda?  E por que se esquece de tudo isso quando começa uma nova relação?

Algumas mulheres querem ser totalmente independentes, mas em compensação é só precisarem de alguma coisa da parte masculina que elas rapidamente se tornam vulneráveis e necessitadas.

Mulherice é quando ela se arruma toda, coloca o melhor vestido (entenda-se por mais caro), se maquia toda, finge a melhor cara possível só para ir à festa em que sabe que o ex-noivo/ ex-namorado/ex-marido/ex-paquera (que lhe partiu o coração) também estará lá, só para “mostrar” o quanto está “BEM”.

Mulherice é quando pergunta se está gorda, mas não quer ouvir outra coisa que não seja: “Não, meu bem, você está magrinha”. Experimenta só dizer que ela está gorda…

Pois é; o melhor é se acostumar com as mulherices dela… Ou então partir para outra!

 

 

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