Hora de Mudar

SENTINDO A CRISE DOS 30 ANOS (Um depoimento).

SENTINDO A CRISE DOS 30 ANOS (Um depoimento).

SENTINDO A CRISE DOS 30 ANOS (Um depoimento).

coisas da menteEu que não vivi a crise da adolescência, vivo hoje a crise dos trinta anos, também conhecida como a crise da segunda adolescência!

Eu me pergunto: – Como eu nunca soube que ela existia?

Pairando sobre minha cabeça estão os anos passados, com todos os meus anseios sufocados, minhas mágoas acumuladas, meus sonhos não vividos, minhas oportunidades perdidas, meus amores destruídos e também as mudanças, as experiências adquiridas.

Será que estas foram realmente válidas?

Ou ainda o serão?

À minha frente está o futuro, nem tão incerto, certamente nada trágico, mas desprovido de beleza, de qualquer forma de encanto.

Onde estão os meus sonhos?

O presente é uma carta em branco, numa folha preta. Algo entre a alucinação e a realidade, entre a possibilidade e o vazio, o medo e o desejo…

Quando foi a última vez que sonhei de verdade?

Aquele sonho que você cuida, aos poucos acalenta e quando vê ele já é realidade… não sei!

Adolescência, juventude, sonhos, dúvidas e inconsequências não vivi isso!

Desde a mais tenra idade sempre soube quem eu era, o que iria ser sempre muito consciente e responsável sobre minha atuação no mundo, nunca coube dúvidas, só certezas…

Hoje me vejo diante de perguntas, que deveria ter feito anos atrás…

Por que jamais me permiti a atrever-me, a sonhar sonhos impossíveis (sim sonhos impossíveis, porque os que sonhei, sempre foram os possíveis!), a ser outra sendo eu mesma?

Quem escreveu em mim a prematura e irreversivelmente consciência?

Meus pais? Certamente eles devem ter desempenhado nisso seu papel, mas apenas eles?

Quanto devo nessa?

Se a dor de se saber quem é, até onde se pode chegar, mas de não se saber até onde pode ir, ou pior, até onde se quer ir, servir como amortecimento de dívidas e culpas, deixo já adiantado algumas parcelas pagas para os erros dos meus próximos trinta anos…

Trinta anos, um pouco mais para uns, um pouco menos para outros…

Crise dos trinta anos. Dói! É sabida passageira, mas porque machuca tanto?

Por que tudo de uma única vez?

Por que busca ressuscitar monstros, já aniquilados em anos de psicanálise? Cadê as respostas dos psicanalistas para toda esta angústia, medo, derrotismo, insatisfação inexplicáveis?

“Crise dos trinta anos, crise de segunda adolescência… não se pula fases na Vida…”.

Eu não pulei nada! Ela não estava em meu caminho!

Não brinquei de amarelinha com as fases da minha vida. Não, não brinquei.

Sempre fui responsável demais pra brincar com coisas sérias…

Se não brinquei na fase da inconsequência, como poderei fazê-lo agora na fase da consciência?

E todo este blá, blá ,blá, em torno de Balzac…mulheres balzaquianas… picasso1

Ah…Deixe-me chorar, irar, odiar.

Deixe-me falar, sentir, temer, experimentar, errar.

Deixe-me não resolver, não escolher, não decidir!

Deixe-me duvidar!

Deixe-me… Deixe-me crescer!

Deixe-me te amar! Mas não me deixe…

Ao menos algo é certo e real em toda essa conjectura: TENHO TRINTA ANOS E ESTOU

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”

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