Hora de Mudar

O Capital – O filme

O Capital – O filme

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O Capital

O Capital

Este é um filme que todo profissional que interage com profissionais de empresas multinacionais deve assistir e refletir.

Costa-Gravas, diretor grego naturalizado francês, aos 80 anos, continua como sempre denunciando.

Depois de filmar a ditadura grega dos anos 60; o estalinismo na Europa Central; a tortura na aliança militar do Cone Sul; os trágicos primeiros meses da ditadura chilena e os crimes de guerra do nazismo, agora examina o sombrio mundo das finanças globais e nos alerta para a escravidão do século XXI e o grande Senhor, o capital.

O Capital (em alemão Das Kapital) é a obra mais conhecida de Karl Heinrich Marx ou simplesmente Karl Max, um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.

O Capital é o titulo do uma coleção de livros (sendo o primeiro de 1867), marco do pensamento socialista marxista, uma crítica ao capitalismo (crítica da economia política).

Já o filme é uma adaptação do romance homônimo escrito por Stéphane Osmont, que traz para o mundo atual as inquietações do livro original.

O Capital tem cenas gravadas em Paris, Londres, Miami e Nova York e conta com atores de diversos países, como o americano Gabriel Byrne, a belga  Natacha Régnier e o britânico Paul Barrett e com uma participação do jogador francês Bixente Lizarazu, campeão do mundo de futebol (1998).

O Capital é a história pessoal da ascensão profissional e financeira de Tourneil no banco Fênix (aquele que ressurge das cinzas), e é estruturada nos mais perversos dos jogos de poder servindo para mostrar os labirintos sujos do mundo do dinheiro, do poder e do sexo.

Mostra o protagonista, o banqueiro Marc Tourneil interpretado pelo excelente ator franco-marroquino, Gad Elmaleh, virando-se para a plateia e exclamando, cinicamente, durante uma reunião com ávidos acionistas:

”Continuaremos tirando dos pobres para dar aos ricos neste jogo, meus senhores. Até que tudo isto exploda!”

Alguns críticos não gostaram do filme, mas em minha opinião ele é simples, direto, preciso e eficiente, com as boas ironias de Osmont e do cinismo dos executivos (parece até que estou vendo alguns aqui no nosso mundo empresarial).

Como sempre Costa-Gravas reproduz com precisão e sem nenhuma falsa sofisticação ou intelectualidade barata, algumas observações literárias que permite acesso a qualquer espectador à trama.

Leia e reflita sobre algumas das observações dos personagens:

”A moral do capital é deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.”

Ou:

“Os estados democráticos não podem mais se livrar dos bancos que os asfixiam”.

E mais:

“Você é respeitado pelo salário que recebe e para tal é preciso possuir dinheiro”.

Outra frase surge quando Tourneil rindo responde à sua mulher, debochando e prestes a decidir o seu futuro se aproveitando de um vácuo de poder com a morte do Presidente do Banco:

“Quem é o presidente neste momento? Quem está no poder? É uma piriguete gorda chamada A Conjuntura.” 

Pego de surpresa na sua primeira entrevista como banqueiro, durante uma mega festa organizada pela indústria de marcas luxuosas, se sai com esta “pérola”:

“O luxo é democrático! É um direito de todos!”

E rindo, baixinho, comenta com sua mulher:

”Agora aceito dar qualquer entrevista. A gente diz uma bobagem e pronto.”

Já os grandes acionistas americanos, em Miami, capitaneados pelo acionista mor do banco Fênix (outro excelente ator, Gabriel Byrne) saem com essa:

“Somos um bando de caçadores”.

Já os banqueiros franceses se referindo aos investidores dos fundos especulativos americanos falam:

”Eles querem ganhos do capitalismo de caubói. Porque lá eles não têm empecilhos; não têm leis sociais como as nossas. Esses americanos adoram Paris, mas detestam a França”.

Outros cineastas também retrataram a crise econômica e o mundo financeiro nos cinemas como Martin Scorsese, com o inédito Os Lobos de Wall Street, mas O Capital mostra bem o comportamento diferente de dois mundos, os americanos e os europeus.

Conhecendo essas realidades fica mais fácil ouvir essas besteiras dos “gringos” quando estamos negociando com eles e não precisamos nem revidar e se assustar é só ouvir, entender e se fazer de “morto”.

 

Título original: Le Capital (O Capital)

Com: Gad Elmaleh, Gabriel Byrne, Natacha Régnier, Céline Sallette, Hippolyte Giradort, Bernard Le Coq, Joh Landis.

Diretor: Costa-Gravas

Gênero: Drama, Suspense

Origem: França

Ano: 2012

Lançamento Brasil: 4 de outubro de 2013

Duração: (1h53min)

 

2 thoughts on “O Capital – O filme

  1. edumadari

    Um filme temático. Coerente.Lascivo. Selvagem. Visceral. Pena que existam poucas mentes com a verve de Costa Gravas.Valeu a pena assistir!

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