Categories: Filosofia

O que você prefere: ter razão ou ser feliz?

Mulher a chorar - Pablo Picasso

Podemos sempre decidir entre uma de duas coisas: ter razão ou ser feliz.

Antes duas historinhas uma a nível pessoal e outra profissional.

 Casal de namorados que serão padrinhos de casamento estão atrasados para a cerimônia religiosa.  Ele conduz o carro. Ela consultou o mapa antes de sair de casa, orienta-o e pede para que vire, na próxima rua, à direita. Ele, porém tem certeza de que é à esquerda. Discutem. Percebendo que além de atrasados, ficariam mal humorados, ela resolve deixar que ele decida. Ele vira à esquerda e percebe, então, que estava errado. Mesmo a contra gosto e sem alternativa, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri disfarçadamente e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados porque a noiva com certeza também vai se atrasar. Ele, não agüenta e fala: “Porque sorriu se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais…”

Na empresa um gerente de vendas solicita ao gerente técnico o acompanhamento de um técnico numa visita a um cliente que faria naquele momento. O gerente técnico estrila dizendo que ele deveria ter solicitado com antecedência e não iria ceder o técnico. O gerente comercial tenta argumentar que o cliente ligou nesse momento solicitando, mas o gerente técnico não cedeu. Percebendo que não já estava se atrasando para a reunião com o cliente e azedaria a relação com a área técnica resolve ir à reunião sem o técnico. No retorno, o gerente técnico pergunta como foi e ele diz que o cliente comprou do concorrente que levou o técnico. Vendo que tinha contribuído para a perda do pedido fala: “Pôh, se você sabia que era fundamental para tirar o pedido devias ter insistido mais”.

Os dois a namorada e o gerente comercial poderiam ter respondido: “Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a relação!”

Quanta energia que normalmente é desperdiçada apenas para demonstrar a posse da razão. Quando discute com a namorada e acabam brigando, ele sempre quer ter razão, mas ela vai embora furiosa e passa três dias sem ligar. Ele fica sozinho em casa, cheio de razão, mas numa tristeza infinita, infelicíssimo. A mesma coisa acontece no plano profissional.

Há muito tempo atrás aprendi uma lição e desisti da idéia de convencer alguém de qualquer coisa. Com minha intuição, experiência e convicções, ofereço minhas opiniões com sinceridade, apresento meus argumentos, me empenho em ser claro e objetivo. Se forem aceitas, ótimo, se não, ótimo também.

Gosto de aprender, não tenho problemas para admitir meus erros e equívocos, não me sinto inferior por não ter razão. Nem culpado por me sentir feliz.

Todo ser humano é complexo, imprevisível e único, e a sensação de felicidade ou infelicidade atingem a todos ricos e pobres, sábios e ignorantes, religiosos e ateus, desde que o mundo é mundo.

Eu quero ser feliz, mas sem perder a razão. Isso não quer dizer que devemos sempre aceitar e nos tornarmos submissos. Se alguém afirmar que a parede é azul quando é amarela e quer ter razão não vou brigar, mas vou colocar um ponto de interrogação na relação e na seqüência do relacionamento vou acabar me afastando.

O que importa ter razão e sustentar essa razão com uma discussão se isso acaba por pôr em perigo o meu equilíbrio e logo também o maior objetivo da minha vida que é ser feliz?

Razão em termos absolutos não existe e isso é algo que devemos ter sempre presente quando acharmos que temos razão acerca de algo, a teoria quântica explica isso.

Para que discutir e criar instabilidade numa relação por essa razão, sobretudo quando sabemos que isso não irá levar a lugar nenhum? Ou a pelo menos a nenhum lugar que queiramos…

Não acredito que quem ama queira que a outra parte reconheça publica e inequivocamente a sua culpa. Será que quem ama pode querer “dobrar” a outra parte pela força da razão? Acho que não.

Na minha opinião, num relacionamento seja de que tipo for entre duas pessoas, a razão é inimiga da felicidade.

Eduardo Augusto dos Santos

Paulistano do bairro da Indepedência (Ipiranga-São Paulo), que apesar de manter fortes vínculos com suas origens e convicções sempre foi um apaixonado pelas mudanças como forma de evoluir e crescer como ser humano, daí HORA DE MUDAR.

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  • Hoje lendo o seu novo texto e este novamente percebo que em ambos você utiliza a palavra decisão, decidir.
    DECIDIR...esta palavra me despertou para algo novo hoje!
    DECIDIR, DECISÃO, FAZER ESCOLHAS, ASSUMIR UMA POSIÇÃO...
    Pois bem Sr. Autor, vou assumir um compromisso comigo e você será minha testemunha...kkk:
    De agora em diante
    EU DECIDO!!!

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Eduardo Augusto dos Santos

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